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Tecnologia
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Por Redação
3 de agosto de 2026

Supermercado 2030: as cinco tendências que vão redefinir a operação, a tecnologia e a relação com o consumidor

Inteligência artificial, dados como ativo estratégico, retail media, integração dos canais e novas competências profissionais estão entre os movimentos que já começaram a transformar o varejo alimentar e devem ganhar protagonismo nos próximos anos

O supermercado de 2030 será mais inteligente, integrado e orientado por dados do que nunca. A transformação que já está em curso no varejo alimentar aponta para um modelo de negócio no qual inteligência artificial, personalização, monetização de dados e novas arquiteturas tecnológicas deixam de ser diferenciais competitivos para se tornarem elementos essenciais da operação. Mais do que acompanhar tendências, os supermercadistas precisarão desenvolver a capacidade de antecipar demandas, integrar toda a cadeia de abastecimento e construir experiências de compra fluidas e relevantes para um consumidor cada vez mais conectado e exigente.

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Segundo Leandro Murta, diretor executivo da unidade de negócios inteligência colaborativa da Neogrid, a inteligência artificial (IA) mudou o jogo no varejo. “Essa tecnologia saiu de um estágio de testes para se tornar uma vantagem importante. Hoje em dia, é possível observar seu forte impacto em áreas como prever demanda, organizar estoques, definir preços, gerenciar promoções e garantir o abastecimento certo. Tudo isso ajuda a tomar decisões mais rápidas e certeiras”, diz Murta.

Na visão de André Faria Gomes, CEO da Bluesoft, o que já está gerando ganho concreto hoje se divide em duas frentes. “A primeira é o copiloto de IA, aquele assistente que fica dentro do ERP, entende o contexto da tela, gera relatórios sob demanda, cruza dados em tempo real e devolve insights para o varejista sem que ele precise sair do sistema. Isso já é realidade e libera muito tempo de trabalho manual das equipes, permitindo que elas sejam mais estratégicas”, afirma Gomes.

Inteligência artificial será protagonista das decisões do varejo

Para a Neogrid, a inteligência artificial terá um papel cada vez mais integrado na operação supermercadista. “Até 2030, o principal avanço será a integração dessas decisões. A IA passará a analisar, de forma simultânea, fatores como clima, sazonalidade, comportamento regional de consumo, elasticidade de preços e disponibilidade dos fornecedores para recomendar, em tempo real, as melhores ações para cada loja. Em muitos casos, essas decisões poderão ser executadas automaticamente, com supervisão das equipes”, explica Murta.

O executivo também destaca a evolução dos modelos de inteligência artificial utilizados pelo varejo. “Outro movimento importante é a evolução da IA generativa para agentes inteligentes, capazes de interpretar cenários, simular impactos e apoiar os gestores na tomada de decisão, diminuindo o tempo entre a identificação de uma oportunidade e sua execução”, observa o diretor da Neogrid.

Segundo o CEO da Bluesoft, a automação inteligente deixará de ser uma tendência para se tornar um requisito operacional. “O que a gente está acompanhando já há algum tempo é que a IA vai deixar de apenas responder e vai passar a executar processos de ponta a ponta. Nesse cenário, ter a IA integrada ao ERP acaba não sendo mais um diferencial competitivo, mas sim, um pré-requisito operacional e, quem não tiver esse tipo de tecnologia, vai acabar operando em desvantagem estrutural de custo”, analisa Gomes.

Dados e retail media ganham protagonismo nos supermercados

Os dados passam a assumir um papel central no futuro dos supermercados. Segundo Leandro Murta, o grande desafio do setor não é mais coletar informações, mas transformá-las em inteligência de negócio. “Atualmente, os dados são os principais ativos estratégicos do varejo. Coletar as informações não é mais um desafio, e, sim, como transformar esses dados em vendas, estoque, abastecimento, promoções e comportamento de compra em inteligência para apoiar decisões de negócio”, destaca Murta.

Na visão do executivo, a integração dessas informações amplia a eficiência operacional e abre novas possibilidades de monetização. “Ao mesmo tempo, esse patrimônio de dados cria novas oportunidades de monetização, principalmente por meio do retail media e da inteligência comercial. Ao compreender melhor o perfil e o comportamento dos consumidores, o varejo consegue oferecer campanhas mais segmentadas e relevantes para a indústria, aumentando o retorno sobre os investimentos em mídia e promoções”, afirma Murta.

Para André Faria Gomes, os sistemas de gestão deixam de ocupar apenas uma função operacional dentro do varejo. “O ERP tem o dado real de venda e comportamento, deixando de ser apenas o back-office do varejo e passando a ser o centralizador de todas as informações do seu negócio, e quem tratar ele apenas como sistema fiscal está usando uma fração da capacidade do ERP e está deixando dinheiro na mesa”, avalia Gomes.

A experiência omnichannel será invisível para o consumidor

O conceito de omnichannel também deverá evoluir nos próximos anos. Segundo Leandro Murta, a integração dos canais será tão natural que o consumidor sequer perceberá a distinção entre eles. “O consumidor de 2030 provavelmente nem utilizará mais o termo ‘omnichannel’. Para ele, existirá apenas uma experiência de compra, independentemente do canal escolhido. Ele espera encontrar os mesmos produtos, preços, promoções e nível de serviço na loja física, no e-commerce ou no aplicativo”, explica Murta.

O executivo acrescenta que a operação precisará funcionar de maneira integrada e em tempo real. “Estoque, abastecimento, logística, precificação e relacionamento com o cliente precisarão compartilhar informações em tempo real para assegurar uma experiência consistente e uma operação mais eficiente”, ressalta Murta.

Na avaliação do CEO da Bluesoft, a base tecnológica será determinante para viabilizar essa experiência. “Só é possível oferecer uma jornada realmente personalizada quando o dado do cliente é o mesmo em todos os pontos de contato, seja ele no aplicativo, no e-commerce ou na frente do caixa”, destaca Gomes.

O supermercado do futuro será movido por colaboração e pessoas capacitadas

Outra tendência apontada pelos entrevistados está relacionada à gestão integrada do negócio e ao desenvolvimento das equipes. Para Leandro Murta, a competitividade dependerá cada vez mais da colaboração entre todos os agentes da cadeia de abastecimento. “A principal transformação dos próximos cinco anos será a evolução da gestão da cadeia de abastecimento. A competitividade dependerá cada vez menos de decisões tomadas de maneira isolada e mais da capacidade de integrar informações entre varejo, indústria e fornecedores para antecipar a demanda, reduzir rupturas e responder com mais agilidade às mudanças do mercado”, afirma Murta.

Segundo André Faria Gomes, a preparação dos profissionais será um dos fatores mais relevantes para o sucesso dessa transformação. “De nada adianta investir em IA, agentes autônomos e arquitetura de dados de ponta se o colaborador do varejo não estiver preparado para operar nesse cenário. O comprador precisa saber interpretar as recomendações que o agente de IA envia. O gerente de loja precisa saber tomar decisão a partir dos dados que o sistema disponibiliza. O time de retaguarda precisa entender o novo fluxo tributário”, observa Gomes.

O executivo da Bluesoft também reforça que a tecnologia deverá fortalecer, e não substituir, a dimensão humana do varejo. “A tecnologia deve automatizar o repetitivo e liberar tempo para que as pessoas façam o que a máquina não faz bem, atender o cliente com empatia, tomar decisões estratégicas no back-end, criar experiências que fidelizam. O supermercado que ficar tecnológico demais e humano de menos vai descobrir que perdeu o vínculo com o consumidor no caminho”, conclui Gomes.

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