Por Redação
18 de setembro de 2026Gestão por categoria: como uma rede média pode começar
Com estrutura enxuta e dados já disponíveis, supermercados podem testar o modelo em lojas ou categorias-piloto antes de ampliar a estratégia
Gerenciamento de categorias costuma ser associado a grandes redes, com equipes especializadas e profissionais dedicados à análise. Para uma rede média, porém, a estrutura enxuta não impede a adoção do modelo. Dados de vendas, estoque, ruptura, preço, promoções e composição da cesta já permitem identificar oportunidades e transformar informação em decisões de sortimento, exposição, preço e abastecimento.
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“O primeiro passo não é definir um responsável, a partir daí, escolher uma ou duas categorias-piloto e estabelecer um ciclo simples de diagnóstico, decisão, execução e acompanhamento”, declara Fátima Merlin, fundadora e CEO da Connect Shopper.
Antes de mexer na gôndola, a rede precisa entender o papel da categoria para o negócio e para o consumidor. Isso significa avaliar a missão de compra, quem compra, quais produtos aparecem juntos e onde estão as perdas de venda, margem ou relevância. A recomendação é começar com um piloto de 90 dias, acompanhando os resultados antes de ampliar a iniciativa.
A escolha da categoria pode considerar critérios como relevância estratégica, potencial de crescimento, oportunidade de margem, ruptura, importância para a cesta e facilidade de execução. A maior categoria em faturamento não necessariamente é a melhor para começar. Uma operação intermediária, por exemplo, pode apresentar excesso de itens, baixa produtividade ou problemas de abastecimento mais fáceis de atacar.
Começar pequeno
O diagnóstico pode reunir indicadores de desempenho econômico, comportamento do shopper, sortimento e estoque, preço e promoção e execução. Entre eles estão vendas, margem, produtividade por SKU, frequência de compra, penetração, ruptura, giro, cobertura, competitividade de itens-chave e resultado das promoções.
A prioridade aparece quando há algum descompasso, como alta penetração e baixa frequência, vendas elevadas com margem deteriorada, excesso de estoque junto a rupturas nos itens líderes ou muito espaço destinado a produtos de baixa produtividade.
Outro cuidado é evitar que o gerenciamento de categorias se transforme apenas em revisão de planograma ou redução de mix. A metodologia também exige responsáveis, prazos e indicadores. Fátima destaca que a função pode inicialmente
ficar com um comprador, gerente comercial ou profissional de inteligência comercial, desde que tenha tempo, acesso aos dados e capacidade de coordenar as áreas envolvidas.
No GoodBom, a implantação também ocorreu de forma gradual, mas com uma abordagem diferente. Em vez de selecionar categorias-piloto, a rede escolheu lojas e aplicou o conceito de gerenciamento de categorias de maneira mais ampla, integrando Comercial, Marketing, Operação e unidades. “Mais do que criar uma nova área, buscamos incorporar uma nova forma de analisar as categorias e tomar decisões dentro da empresa”, conta Alice Vieira, diretora de Comunicação e TI do GoodBom.
A experiência levou à revisão de sortimento, relevância dos produtos, organização e exposição, espaço, preço e promoção. A análise considera ainda as características de cada unidade, já que lojas da mesma rede podem atender perfis e necessidades diferentes.
Segundo Alice, as unidades que já passaram pelo processo apresentaram desempenho mais consistente, com evolução em faturamento, volume, fluxo de clientes e tíquete médio. Para ela, a implantação não precisa ocorrer de uma só vez. “O GC não precisa nascer grande em número de lojas, mas precisa fazer parte da estratégia do negócio”, comenta.
Para uma rede média, portanto, o caminho pode começar com uma categoria ou loja relevante, uma pergunta de negócio clara e os dados que a operação já possui. A partir dos resultados, o modelo pode ser ajustado e ampliado. A inteligência artificial pode ajudar a processar informações, identificar associações de cesta, anomalias e oportunidades, mas o ganho está em transformar essas análises em decisões executáveis.
Fátima resume a lógica do trabalho ao propor uma pergunta que pode orientar a rotina: “Que decisão conseguiremos tomar amanhã para melhorar a experiência do cliente e o resultado da categoria?”.