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Varejo
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Por Redação
8 de julho de 2026

Legumes congelados vivem nova fase e ganham espaço no varejo como opção saudável e prática

Categoria deixa para trás a imagem de ultraprocessados e ganha espaço nas gôndolas, impulsionada pela busca por praticidade e saudabilidade

Durante muitos anos, alimentos congelados carregaram o estigma de serem produtos excessivamente processados e pouco saudáveis. Hoje, esse cenário vem mudando rapidamente. A combinação entre praticidade, preservação dos nutrientes e redução do desperdício está reposicionando os legumes e vegetais congelados como protagonistas de uma alimentação equilibrada. Esse movimento já começa a impactar diretamente as estratégias do varejo supermercadista.

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O crescimento da demanda acompanha uma transformação no comportamento do consumidor, que busca refeições rápidas, mas sem abrir mão da qualidade. Para os supermercados, isso representa uma oportunidade de ampliar o espaço destinado à categoria e trabalhar um mix cada vez mais diversificado, incluindo linhas premium, refeições completas e soluções para diferentes ocasiões de consumo.

Na avaliação de Rafael Palmer, diretor de Marketing de Alimentos preparados da Seara, a mudança de percepção já aparece nos indicadores de mercado, e cita que a categoria de congelados registrou crescimento de 6% em volume e 11% em valor em 2025 frente a 2024.

Considerando o período entre 2022 e 2025, o avanço acumulado chega a 23% em volume e 31% em valor. "O consumidor entende melhor as diferenças entre as categorias de alimentos e reconhece que os congelados podem preservar sabor, textura e nutrientes, além de oferecer mais praticidade no dia a dia", afirma Palmer. Para ele, a combinação entre conveniência e qualidade tem sido determinante para impulsionar o crescimento da categoria.

Saudabilidade substitui o estigma dos ultraprocessados

A mudança mais significativa talvez seja justamente a quebra do antigo paradigma de que congelados são sinônimo de alimentos ultraprocessados.

Na visão de Fábio Luiz de Oliveira, gerente nacional de varejo da De Marchi, esse entendimento vem sendo construído à medida que o consumidor conhece melhor os processos produtivos, como o sistema IQF (Individual Quick Freezing) permitem congelar rapidamente cada vegetal, preservando textura, sabor, aparência e nutrientes. "O consumidor está cada vez mais informado e entende que vegetais congelados são diferentes dos alimentos ultraprocessados", afirma.

Os vegetais congelados passaram de uma categoria associada apenas à praticidade para uma alternativa reconhecida também pela preservação nutricional, redução do desperdício e qualidade dos alimentos.

Esse reposicionamento tem sido acompanhado pelo aumento do espaço nas gôndolas e pela ampliação do sortimento tanto no varejo quanto no food service. "O paradigma vem sendo quebrado e o consumidor está entendendo que praticidade e saudabilidade podem caminhar juntas, mas ainda existe um trabalho importante de educação da categoria ", concorda Thiago Terra, gerente-executivo de Estratégia Comercial e Trade Marketing da Grano Alimentos. “Os vegetais congelados são alimentos minimamente processados, congelados logo após a colheita e sem necessidade de conservantes”, complementa.

Mudança de hábitos

Além da evolução da percepção sobre os produtos, a própria rotina dos consumidores favorece o crescimento da categoria. Fatores como jornadas mais intensas, cozinhas menores e menor frequência de preparo de refeições em casa aumentam a procura por soluções prontas ou semiprontas.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com alimentação saudável. "Categorias saudáveis estão crescendo, enquanto categorias ligadas a carboidratos e açúcares estão menos fortes”, afirma Terra, que diz, ainda, que esse movimento já pode ser percebido por distribuidores, supermercados e atacadistas em diversas regiões do país.

Embora a saudabilidade tenha ganhado protagonismo, a praticidade permanece como principal fator de compra. Para Palmer, os consumidores valorizam produtos que simplificam o preparo das refeições, mas também observam atributos como qualidade dos ingredientes, sabor, confiança na marca, valor nutricional e variedade de receitas.

Já Oliveira destaca que outro diferencial importante é a redução das perdas. "Utilizar apenas a quantidade necessária, evitando desperdícios, é um fator decisivo, sem contar a conveniência de ter um produto pronto para preparo rápido, mantendo as características naturais dos vegetais".

Para Terra, cresce a valorização da origem dos ingredientes, padronização dos produtos e confiabilidade das marcas, fatores que fortalecem o posicionamento da categoria como solução prática para o dia a dia.

O reposicionamento dos congelados também passa pelo lançamento de produtos com maior valor agregado. Na Seara, a aposta é a linha Marmita Seara, desenvolvida sob o conceito clean label, com ingredientes naturais e sem conservantes. O portfólio reúne refeições completas que combinam proteínas, arroz, feijão, legumes e vegetais, buscando entregar conveniência sem abrir mão da qualidade.

Na De Marchi, os investimentos concentram-se em tecnologias de congelamento, embalagens mais práticas, porções adaptadas a diferentes perfis de consumo, soluções que reduzam o tempo de preparo sem comprometer a qualidade, e mixes específicos para diferentes aplicações culinárias. Já a Grano aposta em novos cortes, combinações de vegetais e embalagens funcionais que também abreviem o preparo.

O crescimento dos vegetais congelados tende a continuar sustentado pela convergência entre conveniência, saudabilidade e redução do desperdício. Para o varejo supermercadista, o momento representa uma oportunidade de ampliar o sortimento, fortalecer o posicionamento da loja como destino para alimentação saudável e explorar categorias de maior valor agregado, acompanhando uma mudança de comportamento que parece ter vindo para ficar.

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