Newsletter
Receba novidades, direto no seu email.
Assinar
Varejo
...
Por Redação
9 de junho de 2026

Importados ganham espaço e reforçam diferenciação nos supermercados

Categoria avança impulsionada por busca por experiências, qualidade e novidades globais

Os produtos importados seguem ampliando sua presença nas gôndolas dos supermercados brasileiros, impulsionados por consumidores mais abertos à experimentação e por varejistas que enxergam na categoria uma oportunidade de diferenciação e agregação de valor. Vinhos, azeites, massas premium, chocolates, snacks diferenciados e itens asiáticos estão entre os destaques de crescimento dos últimos anos.

LEIA TAMBÉM
Recommerce alimentar avança no varejo e transforma desperdício em oportunidade de negócio
Freezer fine dining avança no varejo e transforma congelados premium em nova fronteira de valor

Segundo Fátima Merlin, fundadora e CEO da Connect Shopper, a evolução da categoria está diretamente relacionada às mudanças de comportamento do consumidor. “As categorias que mais avançaram foram vinhos, azeites, massas premium, chocolates, snacks diferenciados e produtos asiáticos”, afirma. Para ela, esse movimento reflete um público cada vez mais conectado às tendências internacionais. “O shopper tem demonstrado maior abertura para experimentar produtos importados, principalmente quando existe percepção de autenticidade, qualidade e descoberta”, salienta.

O interesse por novas culturas gastronômicas e pela influência das redes sociais tem impulsionado especialmente os produtos asiáticos e snacks diferenciados. Já categorias tradicionais, como vinhos, azeites e chocolates, seguem associadas a momentos de indulgência e sofisticação, atraindo consumidores em busca de experiências diferenciadas.

A estratégia dos supermercados também tem contribuído para o avanço da categoria. De acordo com Fátima, os varejistas passaram a trabalhar os importados de forma mais integrada às missões de compra, criando espaços temáticos, ilhas promocionais e ações de degustação. “Há maior integração entre importados e missões de compra, além de degustações, comunicação de origem, storytelling e ações digitais para estimular descoberta e experimentação. Muitos varejistas passaram a trabalhar importados como elemento de diferenciação e valor agregado”, observa.

Para Nelson Beltrame, docente da FIA Business School, o consumidor brasileiro encara os produtos importados com interesse, mas também com cautela. “O consumidor brasileiro tem reagido aos produtos importados com uma postura de cautela e busca por experiências”, avalia. Segundo ele, a decisão de compra é cada vez mais influenciada pela relação entre custo-benefício e qualidade percebida. “Diante de uma restrição dos recursos econômicos dos consumidores, a decisão de compra é guiada por uma relação de custo-benefício e status de qualidade percebida”, aponta.

Apesar das oportunidades, o segmento ainda enfrenta obstáculos importantes. Entre eles estão a volatilidade cambial, os custos logísticos, a elevada carga tributária e os desafios de abastecimento. Beltrame destaca que a importação exige atenção constante à legislação e ao planejamento operacional. “A alta volatilidade e a desvalorização do real em relação ao dólar corroem rapidamente as margens de lucro”, ressaltou. “O trânsito internacional de mercadorias enfrenta problemas como falta de contêineres, atrasos nos portos e custos elevados de armazenagem”, conta.

Nesse cenário, especialistas concordam que o sucesso da categoria depende de uma gestão estratégica, capaz de equilibrar diferenciação, rentabilidade e acessibilidade. Mais do que produtos premium, os importados vêm se consolidando como ferramentas para criar experiências de compra mais completas e fortalecer a competitividade dos supermercados.

Deixe seu comentário