Por Redação
12 de agosto de 2026Promoção ainda funciona? O novo papel das ofertas na estratégia de marketing
Consumidor mais seletivo exige ações estratégicas baseadas em dados, personalização e construção de relacionamento
A promoção continua sendo um importante fator de decisão de compra, mas seu papel mudou diante de um consumidor mais informado, conectado e criterioso. Em um cenário de comparação instantânea de preços e maior pressão sobre o orçamento das famílias, descontos isolados já não garantem resultados. Especialistas apontam que o desafio do varejo deixou de ser fazer mais promoções e passou a ser desenvolver ofertas mais relevantes, personalizadas e alinhadas aos objetivos do negócio.
LEIA TAMBÉM
Bazar em alta: como supermercados podem transformar a categoria em destino de compras
Consumidor 60+: o supermercado brasileiro está preparado para a revolução da longevidade?
Para Tatiana Ferrara, professora de Gestão de Vendas da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), a promoção continua sendo um fator importante na decisão de compra. “Porém, o consumidor atual aprendeu a diferenciar uma oportunidade real de uma oferta apenas maquiada. O acesso facilitado à informação permite comparar preços, verificar históricos de valores e avaliar se o desconto realmente representa vantagem para a compra”, observa.
Na mesma direção, Tania Zahar Miné, curadora do Hub de Trade Marketing da ESPM, observa que a promoção continua sendo um importante gatilho de compra, mas o shopper está muito mais seletivo. “A decisão de compra passou a considerar não apenas preço, mas também valor percebido, contexto econômico e planejamento financeiro, cenário reforçado por pesquisas que mostram consumidores mais sensíveis a preços e menos propensos às compras por impulso”, destaca.
As especialistas também defendem que promoções precisam estar conectadas a objetivos estratégicos. Em vez de recorrer automaticamente aos descontos para impulsionar vendas, o varejista deve definir qual comportamento pretende estimular, como aumentar a frequência de compras, recuperar clientes, acelerar o giro de estoque ou ampliar o tíquete médio. Além disso, é fundamental avaliar indicadores como margem, retenção e rentabilidade, evitando ações que apenas antecipem compras ou reduzam desnecessariamente a margem do negócio.
Assim, dados e personalização ganham protagonismo. Ferramentas de CRM e análise do histórico de compras permitem criar ofertas mais eficientes do que campanhas massificadas, entregando o benefício adequado para cada perfil de cliente e reduzindo desperdícios com descontos desnecessários. “Os dados mudam a promoção de uma ação genérica para uma decisão de precisão", diz Tania, que acrescenta ainda que a tendência é combinar comunicação ampla com camadas de personalização, utilizando CRM, aplicativos, programas de fidelidade e canais digitais para entregar benefícios específicos conforme o perfil do consumidor.
Para que a promoção deixe de ser apenas uma ação de curto prazo, ela também precisa estar integrada às estratégias de marketing, trade marketing, pricing, logística e relacionamento. A execução consistente nos pontos de venda, a disponibilidade dos produtos, a coerência da comunicação e a continuidade do relacionamento com o consumidor são fatores que determinam se uma oferta contribuirá apenas para vender mais naquele momento ou para fortalecer a marca e aumentar a fidelização no longo prazo.