Por Redação
22 de setembro de 2026O que viraliza na tela chega à gôndola
A descoberta de produtos acontece cada vez mais nas redes, nos games e nas comunidades digitais. Para o varejo, o desafio é transformar essa influência em tráfego, experiência e venda dentro da loja
A jornada de compra da Geração Alpha começa cada vez mais longe das prateleiras. Nascidos entre 2010 e 2024, esses consumidores cresceram com redes sociais, vídeos, games e comunidades digitais integrados ao cotidiano. Mesmo antes de terem autonomia financeira, já participam das decisões de consumo das famílias e os criadores de conteúdo têm papel importante nesse processo. “A Geração Alpha está formando suas referências de consumo muito antes de ter autonomia financeira. O que muda é que essa descoberta acontece cada vez mais no ambiente digital. São crianças e adolescentes que conhecem produtos, marcas, tendências, ingredientes e até novas formas de consumo por meio de vídeos, creators, games e comunidades digitais e, depois, levam essas referências para dentro de casa e para o momento da compra”, afirma Sérgio Costa, empreendedor e sócio da Divina Terra.
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Para Vera Bermudo, conselheira, CFO e professora da FGV, essa influência já se traduz em comportamento de compra. “Segundo dados da pesquisa da PwC, 61% desses jovens apontam as redes sociais como o principal fator que desperta o desejo de compra, superando a recomendação de amigos e os tradicionais comerciais de TV”, analisa.
Para o varejo alimentar, o movimento traz uma questão estratégica, que é como fazer com que o desejo despertado no ambiente digital encontre resposta no ponto de venda? A resposta passa por integrar as duas jornadas, em vez de tratá-las como canais independentes. “O varejo físico só transforma influência digital em resultado quando conecta o que acontece nas redes com o que acontece na loja, e não quando trata as duas coisas como esforços paralelos”, afirma Vera.
Na prática, isso significa acompanhar tendências que surgem nas redes, antecipar demandas, rever sortimento e criar experiências que dêem continuidade ao que o consumidor viu no celular. A velocidade também ganha importância. Uma tendência que viraliza pode rapidamente se transformar em procura por um produto específico nas lojas.
Para Edson Vasconcelos, CEO e fundador da ecommIT, a transformação exige ir além da comunicação. “O caminho é transformar o criador de conteúdo de canal de mídia em canal de negócios, a loja em uma plataforma de experiência e conversão”, ressalta.
Nesse cenário, o desafio do gestor é medir a influência pelo impacto econômico, e não apenas por visualizações ou engajamento. Tráfego incremental, conversão, ticket médio e recorrência passam a ser indicadores relevantes para entender se uma tendência digital efetivamente gerou resultado. “O futuro do varejo não será digital versus físico e sim o digital influenciando o físico e o físico alimentando o digital”, resume Vasconcelos.