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Varejo
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Por Redação
3 de abril de 2025

Quando surgiu o supermercado? Conheça a jornada de inovação e transformação do principal símbolo do varejo

Do primeiro autosserviço aos hipermercados, essa história é uma saga de inovação e adaptação que chegou ao Brasil em 1953

Imagine um mundo onde fazer compras exigia horas de espera, com atendentes buscando produtos em prateleiras distantes e filas intermináveis. Foi justamente para mudar essa realidade que, em 1916, o americano Clarence Saunders criou o primeiro supermercado do mundo, introduzindo o conceito de autosserviço.

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Esse modelo revolucionário não apenas transformou o varejo global, mas também inspirou o surgimento de estabelecimentos como o Supermercado Sirva-se, pioneiro no Brasil em 1953. Ao longo das décadas, os supermercados evoluíram, incorporando novos formatos, tecnologias e serviços e esta matéria conta essa jornada, desde os primórdios até os dias atuais, destacando como o setor se reinventou para atender às demandas de uma sociedade em constante transformação.

No Brasil, a história dos supermercados é um reflexo da evolução da sociedade, das mudanças culturais e das inovações tecnológicas que moldaram o comércio global. Desde os pequenos armazéns de secos e molhados até as gigantescas redes de hipermercados, o setor varejista passou por transformações profundas, especialmente ao longo do século XX. Esta matéria traça uma linha do tempo detalhada, destacando os marcos que definiram a trajetória dos supermercados no mundo e no Brasil, com base em dados históricos e análises especializadas.

Nascimento do conceito de Supermercado (1916-1930)

A revolução no varejo começou em 1916, quando o americano Clarence Saunders abriu o primeiro supermercado do mundo em Memphis, Tennessee. Batizado de "Piggly Wiggly", o estabelecimento introduziu um conceito inovador: permitir que os clientes circulassem livremente pelos corredores, escolhendo seus produtos diretamente das gôndolas.

Até então, as mercearias tradicionais exigiam que os atendentes buscassem os itens nas prateleiras, um processo lento e pouco eficiente. A ideia de Saunders não apenas acelerou as compras, mas também democratizou a experiência do consumidor, que passou a ter mais controle sobre suas escolhas.

Em 1930, outro marco foi estabelecido nos Estados Unidos com a fundação do King Kullen, considerado o primeiro supermercado moderno. Michael J. Cullen, seu fundador, ampliou o conceito de Saunders, oferecendo uma variedade maior de produtos, desde alimentos até itens de higiene, todos disponíveis em um único local. O sucesso do King Kullen consolidou o modelo de supermercado como conhecemos hoje, influenciando mercados em todo o mundo.

Supermercados chegam ao Brasil (1953-1960)

No Brasil, a história dos supermercados começou em 1953, com a inauguração do Supermercado Sirva-se, em São Paulo. Fundado por Mário Wallace Simonsen, o Sirva-se foi o primeiro estabelecimento a adotar o modelo de autosserviço no país. O nome escolhido não era por acaso e sintetizava a proposta de liberdade e praticidade que o novo formato oferecia.

Neste novo layout, os clientes podiam circular por corredores amplos, escolher produtos em gôndolas e pagar em caixas centralizadas, uma experiência inédita para os brasileiros, acostumados aos tradicionais armazéns de secos e molhados. O Sirva-se não apenas introduziu um novo formato de varejo, mas também estabeleceu padrões que seriam seguidos por décadas.

Além de oferecer uma infraestrutura eficiente, a variedade de produtos e a conveniência oferecida aos consumidores marcaram o início de uma nova era no comércio brasileiro. Em 1965, o Grupo Pão de Açúcar adquiriu as duas lojas do Sirva-se, incorporando-as à sua rede em processo de expansão e a aquisição simbolizou a consolidação do modelo de supermercado no Brasil.

Consolidação das redes supermercadistas (1960-1980)

A década de 1960 foi um período de crescimento acelerado para o setor supermercadista no Brasil. Além do Pão de Açúcar, que havia iniciado suas operações em 1959, outras redes começaram a ganhar destaque, como as Casas Sendas no Rio de Janeiro e a Paes Mendonça em Pernambuco. Essas redes expandiram-se rapidamente, aproveitando a urbanização crescente e a demanda por um formato de compras mais moderno e eficiente.

Nos anos 1970 e 1980, o setor continuou a evoluir, com a introdução de novos conceitos, como os hipermercados. Inspirados no modelo americano do Walmart, esses estabelecimentos ofereciam não apenas alimentos, mas também produtos não alimentares, como eletrodomésticos, roupas e artigos para o lar. O hipermercado representou uma nova etapa na jornada do varejo, ampliando o escopo de produtos e serviços disponíveis em um único local.

Hipermercados e lojas de conveniência (1980-2000)

A década de 1980 trouxe consigo a consolidação dos hipermercados e a chegada das lojas de conveniência ao Brasil. A rede 7-Eleven, originária dos Estados Unidos, tentou introduzir o conceito de lojas pequenas e práticas, associadas a postos de combustíveis. No entanto, o modelo não decolou imediatamente, encontrando resistência em um mercado ainda acostumado aos grandes estabelecimentos.

Ao mesmo tempo, nesse período os supermercados começaram a diversificar seus portfólios, incorporando padarias, açougues e outros serviços que antes eram oferecidos por estabelecimentos especializados. Essa integração de serviços foi crucial para atrair consumidores em busca de conveniência e variedade.

Modernização e expansão das redes (2000-2020)

A partir dos anos 2000, o setor supermercadista passou por uma nova onda de transformações onde as redes começaram a explorar formatos menores, como lojas de bairro, que ofereciam produtos essenciais em locais de fácil acesso. Esse movimento foi impulsionado pela necessidade de atender a um consumidor cada vez mais exigente e ávido por conveniência.

Vinte anos depois, em 2020, a nova era do varejo passa por lojas de conveniência, sem contato humano, formato que já era popular na Europa e nos Estados Unidos, e encontrou terreno fértil no Brasil, onde a demanda dos consumidores por praticidade e agilidade também cresce.

Futuro do varejo: tecnologia e personalização

Hoje, o setor supermercadista enfrenta novos desafios e oportunidades, impulsionados pela tecnologia e pela mudança nos hábitos de consumo. Ferramentas de geomarketing e inteligência artificial estão revolucionando a forma como as redes planejam sua expansão e interagem com os consumidores. A análise de dados permite identificar tendências, otimizar estoques e personalizar a experiência de compra, garantindo que os supermercados continuem relevantes em um mercado cada vez mais competitivo.

A pandemia causada pela COVID-19 acelerou a adoção de tecnologias como o e-commerce e serviços de delivery, reforçando a importância da inovação no varejo e as redes que souberem se adaptar a essas mudanças estarão melhor posicionadas para prosperar no futuro.

História de inovação e adaptação

A trajetória dos supermercados caminha junto à capacidade humana de inovar e se adaptar. Desde os primeiros passos de Clarence Saunders nos Estados Unidos até a consolidação de redes globais, o setor varejista passou por inúmeras transformações, sempre em sintonia com as necessidades e desejos dos consumidores.

No Brasil, o Supermercado Sirva-se foi o pioneiro que abriu caminho para uma revolução no comércio e sua história, assim como a de seus sucessores, reforça que o sucesso no varejo depende não apenas de oferecer produtos, mas de criar experiências que facilitem a vida das pessoas.

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